terça-feira, julho 31, 2007

Abstracção

Estou sentado numa prateleira. Fui eu que me pus lá. Estava a ter dificuldades para me manter em pé. O cansaço era demasiado. As pessoas passam por mim. Algumas olham como se eu estivesse lá. Penso que até houvesse quem falasse, mas não podia ser para mim. É uma pausa que se arrasta por tempo demais. O meu corpo está entre as gentes que por ali andam, mas eu não. Quanto mais tempo passa maior a desconexão. Com sorte, em breve, poderei olhar para mim como um estranho. Não passarei de um espectador. O estado supremo. A excelência do nada. No entanto, há sempre alguém que me impede de completar o percurso, que me trás de volta. Talvez um dia chegue ao fim e atinja a abstracção absoluta.

sábado, julho 28, 2007

Mata-me

Devora-me as entranhas, saboreia cada um dos meus órgãos, ainda quentes, a deslizarem-te pela garganta. Olha-me enquanto o fizeres. Não deixes de aproveitar este momento, que será único. Liberta o ódio que tens por mim. Bebe cada gota do meu sangue, faz com que não sobre réstia de carne sobre os meus ossos. Mas os olhos devem ficar para último, se quiseres deleitar-te com a expressão de horror que os marca. Por favor, mata-me, mas fá-lo com prazer.

quinta-feira, julho 19, 2007

Verniz

As palavras dele foram perdendo o sentido, esbatendo-se à medida que ela pensava ardentemente em fodê-lo. Ele era o contrário de desejável. Ela não o queria fazer, mas a sua mente bloqueou nessa imagem. Uma espiral de onde não conseguia escapar. Sentiu náuseas. Interrompeu a conversa, que era agora um monólogo, e vomitou nos sapatos de verniz que tinha calçados.

domingo, julho 15, 2007

Cicatrizes

As cicatrizes foram sarando. Ela observava as feridas à medida que fechavam, olhava-as para não as esquecer. Cada uma era única. Cada uma tinha uma história. Algumas de ódio, outras de prazer, outras de amor. Houve alturas em que as quis simplesmente apagar, mas isso era impossível. Depois tentou tapá-las, só que elas teimaram em arder com o roçar dos tecidos. Percebeu que as tinha de encarar e cuidar. Quando achou estarem tratadas saiu à rua. Mas, por algum motivo, o mundo continuava com contornos estranhos. A dor mantinha-se, o sofrimento não desapareceu. Se conseguisse ao menos olhar para as suas costas, tinha visto a cruz em carne viva que continuava ali.

quarta-feira, julho 11, 2007

No dreams

Please put me to sleep between your rice sheets. Let me go away in a night with no dreams. Today I want to give my mind a rest of the empty cries of the clay.

sexta-feira, julho 06, 2007

1 ano...

Happy fucking birthday!

:)